Pesquisa de opinião sobre as atitudes empresariais revela algumas diferenças nacionais intrigantes
Fonte: Opinião e Notícia
Relações-públicas não são conhecidos por trabalhar noite adentro sobre obras de grandes economistas. Diante disso, a empresa de comunicação norte-americana Edelman, que atua na área, surgiu com uma ideia inteligente. Membros do ‘público informado’ — em geral, pessoas com diplomas universitários que estão entre os 25% dos assalariados mais bem pagos em seus países e em suas faixas etárias específicas — foram perguntados sobre o que pensam da famosa afirmação do economista Milton Friedman de que “a responsabilidade social das empresas é aumentar seus lucros”.
A questão de se as empresas devem promover a responsabilidade social empresarial (RSE) faz parte de um debate acalorado. Muitas das maiores companhias do mundo (incluindo a BP e a agora extinta Enron) abraçaram a ideia.
Aí, entra a política. O Companies Act 2006 — ato do Parlamento do Reino Unido que forma a base primária da lei empresarial do país — exige que as empresas divulguem seus registros de RSE. As Nações Unidas têm um ‘pacto global’ para a RSE. Mas os Friedmanitas do mundo todo vêm travando uma guerra de guerrilha incessante contra a ideia, denunciando-a como uma mistura confusa de absurdos que destroem valores.
A pesquisa feita pela Edelman dá uma boa visão do estado da batalha global. O país mais amigável às ideias de Friedman é os Emirados Árabes Unidos, com 84% concordando com a máxima do economista — talvez o resultado não seja surpreendente para um país pequeno, orientado para os negócios. O segundo lugar é ocupado pelo Japão, um país normalmente associado ao capitalismo das partes interessadas (stakeholders), mas que pode ter cansado de seu modelo após duas décadas de estagnação.
A Suécia também obteve uma pontuação notavelmente alta, com 60% das pessoas concordando com Friedman. Talvez as pessoas sintam pouca necessidade de RSE quando o governo cuida delas do berço ao túmulo. No entanto, alguns bastiões supostamente friedmanistas se mostraram vacilantes, com a Inglaterra marcando 43% e os Estados Unidos, pátria do economista, 56%.
Nações em dificuldade tendem a desdenhar da RSE. Os dez principais países friedmanistas incluem quatro emergentes (Índia, Indonésia, México e Polônia) e dois que recentemente ascenderam ao grupo das economias desenvolvidas (Cingapura e Coreia do Sul). Mas há importantes exceções à regra. O entusiasmo do ‘público informado’ com as ‘boas ações corporativas’ na China e no Brasil quase coincide com o de seus pares na Alemanha e na Itália.

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